" A psique não pode ser totalmente diferente da matéria, pois como poderia de outro modo movimentar a matéria? E a matéria não pode ser alheia à psique pois de qual outro modo poderia a matéria produzir a psique? Psique e matéria existem no mesmo mundo, e cada uma compartilha da outra, pois do contrário qualquer ação recíproca seria impossível." (Jung, em AION)
Fritjof Capra destaca que Jung concebeu a libido como uma energia psíquica geral, considerando-a uma manifestação da dinâmica básica da vida e que o Inconsciente é um processo que envolve padrões dinâmicos coletivamente presentes.
O que ele chamou de Inconsciente Coletivo. Presente nos símbolos e mitos que fazem parte do patrimônio cultural da humanidade.
Atualmente, essas mesmas energias que nos constituem,isto é,a matéria da psique, estão sendo explicadas em uma linguagem comum. Significa que a humanidade evoluiu,está entendendo melhor o que se passa em seu interior e não precisando remeter ao fora de si o que lhe acontece por dentro. Na Mitologia Grega, os Deuses representavam as tais forças vitais. Hoje, vencida a ignorância cartesiana, que separou o inseparável, a mente do corpo, sabemos seu papel na etiologia de todas as doenças. Para a mente, imaginação e realidade é a mesma coisa. Sentimos de verdade a reação ao imaginário. O corpo se prepara para a luta , fuga, prazer, dor, medo, conforme a imaginação o atiça. O grande problema das doenças psíquicas; por exemplo, estados de ansiedade, é resultado de uma imaginação desenfreada que desemboca em drama e tragédia. A pessoa não é ansiosa, ela se torna ansiosa,imaginando um desenrolar trágico. E acreditando no que imagina. E a lei da Atração funcionando. Daí acontece e a pessoa ainda fala, confirma: "Eu disse!". Um sintoma físico tem sempre uma causa psicológica. Nietszche já pensava a Psicologia como " A Senhora das Ciências ". Porque seu objeto de estudo é a subjetividade humana.
A subjetividade nos torna SUJEITOS. Sem a subjetividade não seríamos humanos; a mania de objetividade que caracteriza o Ocidente é o alimento de relacionamentos objetais, onde as pessoas se tratam como coisas que podem e devem ser manipuladas, e não como sujeitos originais de seus próprios destinos. O que impede a verdadeira troca, o relacionar-se, o encontrar-se no Sagrado como identidades que se encontram e podem fazer História, afinal ," Uma andorinha só não faz verão !". A subjetividade implica em necessidades onde a ternura impera; o calor, o aconchego, o que nos confronta conosco mesmo nas nossas maiores dificuldades; relacionamento é fogo. E o fogo é a combustão que transforma o pensamento, que é a farinha, com a emoção , que é a água , e nos transforma em pão. Uma nova substância. Nova. O que é eterno sempre se renova !
Mas o processo de individuação, o " Torna-te o que tu és " socrático, é o desafio que cada ser humano precisa enfrentar, o desafio da Esfinge com o " Decifra-me ou devoro-te" .
A crise é necessária enquanto duvidarmos da nossa inesgotável capacidade de criar realidade. Enquanto não ficar muito bem sabido que a responsabilidade é individual e o coletivo o resultado dessa responsabilidade.




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